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Outubro Rosa: pesquisas investigam o potencial dos canabinoides no câncer de mama

Estudos apontam que o CBD pode interferir em mecanismos relacionados à proliferação, morte e disseminação de células tumorais

O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, depois do câncer de pele não melanoma. Para 2025, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 73.610 novos casos da doença no Brasil. No cenário mundial, foram estimados cerca de 2,4 milhões de novos casos entre mulheres em 2025, reforçando a dimensão do desafio para a oncologia.

Diante desse cenário, a busca por novas estratégias terapêuticas também tem levado pesquisadores a investigar o papel dos canabinoides. Entre eles, o canabidiol (CBD) vem despertando interesse por sua atuação em diferentes mecanismos celulares relacionados ao desenvolvimento dos tumores.

Pesquisas experimentais realizadas com células de câncer de mama identificaram efeitos do CBD sobre a proliferação e a sobrevivência celular. Entre os mecanismos observados estão a indução da apoptose, processo de morte celular programada, e a interferência em vias envolvidas no crescimento e na progressão tumoral.

Os estudos também apontam uma possível atuação sobre processos relacionados à invasão e à metástase. Outro mecanismo investigado é a angiogênese, formação de novos vasos sanguíneos que contribuem para o desenvolvimento dos tumores. Nesse contexto, o CBD vem sendo estudado por sua capacidade de interferir em fatores associados à formação desses vasos e ao microambiente tumoral.

Uma revisão publicada no Brazilian Journal of Health Review reuniu pesquisas sobre os efeitos antineoplásicos do CBD no câncer de mama e encontrou resultados relacionados às ações antiproliferativa, pró-apoptótica, anti-inflamatória e antiangiogênica.

Mais recentemente, uma revisão sistemática publicada em 2025 analisou 34 estudos sobre CBD e câncer de mama. Os autores identificaram evidências pré-clínicas relacionadas à indução de apoptose, redução da proliferação celular, inibição da progressão tumoral e modulação do microambiente do câncer. Os resultados também chamaram atenção para pesquisas envolvendo o câncer de mama triplo-negativo.

Além da investigação sobre possíveis efeitos antitumorais, os canabinoides também vêm sendo estudados no cuidado de pacientes oncológicos, especialmente no manejo de sintomas como dor, náuseas, alterações do sono e perda de apetite.

Durante o Outubro Rosa, ampliar o acesso à informação também significa acompanhar os caminhos que a pesquisa científica está explorando. No campo da Cannabis medicinal, os estudos sobre câncer de mama avançam e ajudam a compreender como os canabinoides podem participar de diferentes estratégias investigadas pela oncologia.

 

Referências:

Oliveira et al. Cannabis e Câncer de mama: Evidências com células in vitro. Research, Society and Development, 2021. 

Anéas & Salvadori. Os efeitos antineoplásicos do canabidiol no Câncer de Mama. Brazilian Journal of Health Review, 2024. 

Esmaeli et al. Cannabidiol as a novel therapeutic agent in breast cancer: evidence from literature. BMC Cancer, 2025. 

Almeida et al. Cannabinoids in Breast Cancer: Differential Susceptibility According to Subtype. Molecules, 2021. 

WeCann Academy. Cannabis e câncer de mama: suporte no alívio dos sintomas e potencial antitumoral. Atualizado em 2026.