A endometriose é uma condição crônica marcada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina e pode provocar dor pélvica, cólicas menstruais intensas, alterações intestinais e urinárias, além de impactos sobre o sono, a saúde emocional e a qualidade de vida. Para muitas mulheres, o controle da dor permanece como um dos principais desafios ao longo do tratamento.
É nesse contexto que o uso medicinal da Cannabis vem sendo estudado como uma possível estratégia complementar. Pesquisas recentes têm observado seus efeitos sobre diferentes manifestações da endometriose, especialmente a dor.
Um estudo acompanhou 63 mulheres com endometriose e dor crônica que utilizaram medicamentos à base de Cannabis durante um período de até 18 meses. Ao longo do acompanhamento, os pesquisadores identificaram melhora em medidas relacionadas à dor e à qualidade de vida, além de resultados positivos em sintomas de ansiedade e sono.
Um estudo realizado na Nova Zelândia analisou 213 mulheres com endometriose e identificou que 95,5% das participantes utilizavam Cannabis com o objetivo de melhorar a dor, enquanto a mesma proporção relatou seu uso para melhorar o sono. Mais de 80% afirmaram ter reduzido o consumo habitual de medicamentos e 59% disseram ter interrompido algum deles, sendo os opioides a classe de analgésicos mais frequentemente citada entre os medicamentos suspensos.
Em outro levantamento, realizado na Austrália, mulheres com endometriose que utilizavam Cannabis relataram melhora principalmente na dor e no sono. Mais da metade das participantes afirmou ter reduzido em pelo menos 50% o uso de medicamentos farmacêuticos.
Uma revisão publicada em 2024 reuniu oito estudos sobre Cannabis e endometriose e encontrou resultados promissores principalmente no controle da dor, mas também destacou a necessidade de ampliar a produção de evidências clínicas sobre o tema.
Ao estudar a interação dos canabinoides com diferentes processos relacionados à dor e ao bem-estar, pesquisadores buscam compreender em quais situações a Cannabis medicinal pode ser incorporada ao cuidado dessas pacientes.
A discussão também reforça a importância de uma abordagem individualizada. A escolha da terapia, dos canabinoides, das doses e da forma de administração deve considerar as características de cada paciente, os tratamentos já utilizados e a avaliação do profissional de saúde.
Fonte: Matéria originalmente publicada pelo Marijuana Moment